Parabéns ao Jornal Hoje pelas reportagens aos sábados que tratam de particularidades de cidades turísticas no mundo.

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Madrugada de agosto na capital italiana. Quando muitos romanos vão de férias para as praias, a cidade torna-se mais íntima e a sua parte popular, mais visível.

A feira mais antiga de Roma, que existe desde o século XV, começa a ser montada às 5h, com a chegada de um símbolo forte do país: um furgão com três rodas, muito usado pelos feirantes.

No silêncio da manhã, com os primeiros raios de luz, a arquitetura medieval e renascentista do Campo de Fiori causa impacto.

Uma das versões para o nome da Praça é que em 1.400 floriu um grande canteiro. O território, na sua longa história, envolveu pessoas de muito poder.

No fim da Idade Média, campo de Fiori era rota das procissões da igreja e uma praça cheia de hospedarias – onde ficavam os peregrinos. Muitas delas pertenciam à amante oficial do cardeal Rodrigo Borgia, que em 1492 foi eleito papa com o nome de Alessandro 6º.

Cento e oitenta anos depois da eleição de um dos papas mais polêmicos da história, a igreja condenou à fogueira o filósofo Giordano Bruno, que foi queimado vivo pela inquisição.

Julgado por heresia, o frade dominicano ardeu nas chamas em 1600. No século XIX foi erguido o monumento em sua homenagem. Hoje, uma espécie de sofá da praça.

O sol começa a alegrar os ânimos e a sala de visita vai recebendo gente. Até uma poltrona é vista em plena rua. Na única parte histórica de Roma, que não possui uma igreja, as procissões continuam. Pinturas religiosas estão nas esquinas.

Os altares de parede, feitos por pintores anônimos, tradição do século XVII, exprimem a piedade romana. O vozerio ocupa espaço ainda existe o dialeto local. As bancas expõem as cores fortes da cultura mediterrânea.

Dois irmãos são os fornecedores das maiores autoridades da República. Pergunto como é o gosto dos políticos. Massimo informa: “querem apenas produtos de muita qualidade e só italianos. Nenhuma fruta estrangeira.”

Fora da política, os exóticos são bem aceitos e o coco está em todas as composições. No local onde a cidade manifesta um temperamento autêntico, um casal declara que não sai de férias.

Na hora de tirar os motores da praça, o furgão criado nos anos 40 a partir da motinha, mostra
os seus limites. Do alto, Giordano Bruno, mártir romano do direito à liberdade de expressão, assiste a tudo. A festa diária do seu Campo de Fiori.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/08/cronicas-de-roma-mostra-tradicionais-feirinhas-da-italia.html