País encravado entre o Panamá e a Nicarágua, na América Central, a Costa Rica conta hoje com 26% do seu território protegido, sendo 17% na superfície marinha. Ao todo, o país possui 11 áreas de conservação, 166 áreas públicas protegidas e 140 reservas privadas. Corredores ecológicos conectam as áreas protegidas. O setor privado é importante ator na proteção do território costarriquenho.

As informações foram apresentadas pela bióloga Ana Baez, uma das principais consultoras de ecoturismo da Costa Rica. Baez foi a primeira palestrante do seminário “O Desenvolvimento do Turismo Sustentável: Caso Costa Rica”, realizado em Brasília, nesta quarta-feira (7). “Toda essa proteção ambiental criou oportunidades para o ecoturismo e desenvolvimento econômico, de modo a manter as florestas da Costa Rica”, explicou a consultora. Leia também: Turistas ficam em média 12 noites na Costa Rica.

A Costa Rica começou a se especializar em ecoturismo na década de 80, quando havia poucas teorias, publicações, pesquisas e conhecimento a respeito do assunto. “O que existia na época era boa intenção”, disse Ana Baez.

O turismo costarriquenho gera 7,2% do PIB, 22,7% das divisas das exportações do país e é responsável por 115 mil empregos diretos e 460 mil indiretos. Em 2008, recebeu 2.089 milhões de visitantes, gerando US$ 2,285 milhões em recursos. Já a taxa de crescimento médio foi de 12,5% em 2008.

A consultora destacou algumas características do ecoturismo costarriquenho atual: em termos de alimentação, procura oferecer as melhores experiências da gastronomia local; hospedagens propiciam o conhecimento e mergulho na cultura da Costa Rica; a realização do Festival Internacional da Música, que abrange quase todos os hotéis do país, apresenta grandes artistas de todas as partes do mundo; a rica biodiversidade costarriquenha é concentrada em termos espaciais, possibilitando a observação e conhecimento de plantas, animais e, especialmente, de pássaros, no mesmo local.

A colaboração dos institutos de pesquisa do país tem sido fundamental para o enriquecimento dos destinos e atrativos. Uma nova borboleta, descoberta no ano passado, gerou resultado fantástico para o turismo costarriquenho, disse ela. “Uma nova espécie da flora e fauna é descoberta a cada dois dias na Costa Rica”, informou.

Outros motivos da experiência exitosa do ecoturismo costarriquenho, segundo Baez, foi o país apostar na educação e saúde de seu povo e nas obras sanitárias. Segundo dados do Instituto Costarriquenho de Turismo, atualmente 96,6% dos moradores são alfabetizados; a cobertura de saneamento atende 92% da população; o fornecimento de água para 97%; o acesso a serviços sociais é de 100%; e 17,7% são considerados cidadãos em condições de pobreza.

Um importante indicador, adotado pelo país, aponta a relação entre patrimônio e demanda dos recursos naturais. No momento, esse indicador é de 1,12. “Significa que para satisfazer todas as necessidades atuais, visando ser amigáveis com o planeta, precisamos reduzir a demanda de recursos naturais em 0,9%”, disse Baez.

Em 2008, o ecoturismo gerou US$ 856,9 milhões de divisas em nível mundial, o equivalente a 30% das exportações do setor de serviços em todo o globo, segundo Baez. Esse segmento do turismo é praticado em mais de 83% dos países em desenvolvimento. “O turismo é um setor econômico importante e muito forte em 1/3 dos países mais pobres”, acrescentou a consultora.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias