A região que mais produz leite de cabra no país vai apresentar não só a ascensão da caprinocultura leiteira, mas as várias atividades produtivas que estão mudando o cenário do interior paraibano na 5ª Feira de Agronegócios do Semi-árido Nordestino, de 21 a 24 de agosto, na cidade de Monteiro.

Uma das várias atividades é a produção agroecológica familiar, antes difícil de ser praticada, e que hoje gera renda para mais de 80 produtores rurais em 12 cidades com apoio de técnicas de manejo e cultivo apropriadas ao solo semi-árido. O eixo central do evento, que é a criação de caprinos e ovinos, ganha ainda mais evidência com a instalação de um abatedouro frigorífico que será inaugurado ainda este ano.

Com o investimento, a expectativa é de que os produtores abatam três mil caprinos e ovinos por mês em dois anos, operando na capacidade máxima, o que expandiria a cadeia produtiva da carne e couro dos animais. Atingindo regiões como o Curimataú e o Sertão, além de atender Pernambuco, do Moxotó ao Pajeú, o frigorífico fará cobertura do maior núcleo da caprinocultura de corte do semi-árido do Nordeste, conforme explica o agrônomo e técnico do Sebrae em Monteiro, Samuel Mayer.

Só a caprinocultura leiteira é responsável por injetar quase R$ 750 mil por mês na economia local, com a produção de meio milhão de litros/mês, envolvendo 800 criadores atuando em 22 associações. A atividade leiteira na região pretende atingir o mercado nacional em até dois anos, com a previsão da instalação de uma unidade de produção de leite em pó, de cabra e de vaca. Samuel Mayer ainda aposta no mercado nacional para dobrar em 100% a atual produção, chegando a 1 milhão de litros de leite por mês.

Além da Exposição Monteiro Mostra Raça, que acontece dentro do evento, a Feira oferece oportunidade de capacitações e acesso a financiamentos, onde devem ser negociados até R$ 1,5 milhões em insumos e equipamentos, produtos regionais, entre outros segmentos do agronegócio. “Antes de tudo, a feira é uma oportunidade de interagir com todas as inovações das tecnologias”, ressaltou Samuel Mayer.

Através de 22 associações de caprinocultores, o leite é fornecido para oitos unidades de beneficiamento de leite de cabra, que pasteurizam, envasam e distribuem para mais de três mil famílias, com filhos de 0 a 3 anos, em programas de compras governamentais. “O leite de cabra saiu de uma total inexpressão produtiva e de consumo para ser um produto aceito no mundo inteiro”, destacou o técnico do Sebrae de Monteiro.

Além desse fator inovador que fortalece a saúde, a caprinocultura leiteira fortalece também os laços do homem com o campo, induz a implementação de novas tecnologias no Semi-árido e integra a agricultura familiar. Ele percebeu que a qualidade genética das cabras leiteiras também vem evoluindo, produzindo cada vez mais e com maior qualidade do produto.

“Isso acontece devido às tecnologias de inovações nas práticas de manejo, melhoramento genético, com base alimentar mais adequada ao Semi-árido, e ainda com as diversas parcerias, como a Embrapa, UFPB e outros, que testam constantemente o leite do Cariri”, explicou.

Os governos do Estado e federal, o Banco do Nordeste e Banco do Brasil, as universidades federais, (UFPB e UFCG), FAEPA/Senar, MDA, prefeitura de Monteiro, a Amcap, Conab, Cendov, Ciagro, o Insa, o Projeto Dom Helder Câmara, entre outros, apóiam a Feira que espera reunir produtores, compradores, investimentos e muitos mais negócios para o Cariri paraibano em quatro movimentados dias.

(Valdívia Costa)

Fonte: UFCG

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